{"id":80030,"date":"2021-07-17T12:40:10","date_gmt":"2021-07-17T07:10:10","guid":{"rendered":"https:\/\/tovp.org\/?p=80030"},"modified":"2021-07-18T07:11:31","modified_gmt":"2021-07-18T01:41:31","slug":"tovp-vedic-science-essays-a-trip-to-bali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tovp.org\/pt\/science\/tovp-vedic-science-essays-a-trip-to-bali\/","title":{"rendered":"Ensaios sobre a Ci\u00eancia V\u00e9dica da TOVP: Uma Viagem a Bali pelo Arque\u00f3logo Proibido \u2013 Michael A. Cremo (Drutakarma Das)"},"content":{"rendered":"<p class=\"lead\"><em>Esta \u00e9 uma vers\u00e3o ligeiramente revisada de um artigo intitulado &quot;Uma Viagem a Bali&quot;, publicado em 2004.<\/em> Atlantis Rising <em>revista, como parte da minha coluna regular<\/em> O Arque\u00f3logo Proibido.<\/p>\n<h2>Uma viagem a Bali<\/h2>\n<h4>Por O Arque\u00f3logo Proibido \u2013 Michael A. Cremo (Drutakarma Das)<\/h4>\n<p>Seu arque\u00f3logo proibido \u00e0s vezes precisa suportar convites para lugares remotos como Bali, o para\u00edso tropical original. Isso pode significar voos muito cansativos, como o de Los Angeles para T\u00f3quio e depois para Singapura, onde passei uma noite inquieta em um dos mon\u00f3tonos hot\u00e9is de vidro e a\u00e7o da cidade-estado. Na noite seguinte, peguei o voo da Garuda Airlines para Denpasar, a principal cidade de Bali e sede de seu aeroporto internacional. Quando cheguei, meus anfitri\u00f5es me hospedaram em um hotel boutique com estilo de vila tropical em Sanur, na costa sudeste de Bali. O nome do lugar \u00e9 Tamu Kami Hotel, e eu o recomendo muito. Aqueles que acompanham a vida dos ricos e famosos podem se lembrar que Mick Jagger e Jerry Hall se casaram em uma cerim\u00f4nia hindu em Sanur na d\u00e9cada de 1990. De manh\u00e3, eu caminhava pela praia de Sanur (com algumas boas ondas al\u00e9m do recife, para quem gosta de surfar), entoando Hare Krishna em meu japamala. Ao longe, subindo a costa em dire\u00e7\u00e3o ao norte, pude ver o vulc\u00e3o Gunung Agung emergindo das n\u00e9voas tropicais douradas da aurora. Em 1963, ele entrou em erup\u00e7\u00e3o, mas agora est\u00e1 tranquilo. Achei a orla sempre um pouco deserta, consequ\u00eancia de alguns atentados terroristas ocorridos h\u00e1 alguns anos na principal cidade tur\u00edstica de Bali, Kuta. Mesmo assim, notei alguns turistas, em sua maioria idosos, da Alemanha, Holanda e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Bali faz parte da Indon\u00e9sia, a quinta maior na\u00e7\u00e3o do mundo em popula\u00e7\u00e3o. S\u00e9culos atr\u00e1s, era dominada pela cultura hindu. Depois vieram os mu\u00e7ulmanos, e hoje a Indon\u00e9sia \u00e9 majoritariamente isl\u00e2mica. De fato, \u00e9 o maior pa\u00eds isl\u00e2mico. Mas, de alguma forma, Bali permaneceu intocada e ainda hoje \u00e9 95% hindu. Isso porque a arte, a m\u00fasica e a cultura tradicionais em toda a Indon\u00e9sia s\u00e3o baseadas em temas hindus, desde o... <em>Ramayana<\/em> e <em>Mahabharata,<\/em> Mesmo a maioria isl\u00e2mica ainda conserva parte dessa influ\u00eancia.<\/p>\n<p>O ponto alto da minha visita a Bali foi um semin\u00e1rio, do qual fui o convidado principal, na principal universidade da ilha, a Universidade Udayana, em Denpasar. O semin\u00e1rio foi dedicado \u00e0 discuss\u00e3o do meu livro mais recente, <em>Involu\u00e7\u00e3o Humana: Uma Alternativa V\u00e9dica \u00e0 Teoria de Darwin,<\/em> A cerim\u00f4nia contou com a presen\u00e7a de centenas de estudantes e professores da universidade, incluindo chefes de diversos departamentos e o vice-reitor. O vice-governador de Bali tamb\u00e9m compareceu.<\/p>\n<p>Durante minha estadia em Bali, tamb\u00e9m fiz uma viagem a Surabaya, na ilha vizinha de Java, onde estudantes universit\u00e1rios e representantes de uma sociedade cultural hindu me convidaram para falar sobre... <em>Involu\u00e7\u00e3o Humana<\/em> no principal templo hindu ornamentado da cidade.<\/p>\n<p>Em todas as minhas palestras em Bali e Java, discuti um caso interessante de evid\u00eancia de extrema antiguidade humana naquela parte do mundo. Na d\u00e9cada de 1990, arque\u00f3logos da Austr\u00e1lia e da Indon\u00e9sia encontraram artefatos humanos na Ilha de Flores, localizada a algumas ilhas a leste de Bali, no arquip\u00e9lago indon\u00e9sio (<em>Natureza,<\/em>(1998, vol. 392, pp. 173-176). Os artefatos foram encontrados em um estrato datado de 800.000 anos pelo m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o por tra\u00e7os de fiss\u00e3o em zirc\u00e3o. Os arque\u00f3logos precisavam atribuir as ferramentas a algu\u00e9m. Eles conclu\u00edram que os fabricantes n\u00e3o poderiam ter sido seres humanos como n\u00f3s, pois, segundo sua linha de pensamento atual, seres humanos como n\u00f3s n\u00e3o existiam h\u00e1 800.000 anos na Indon\u00e9sia. Eles acreditam que os humanos anatomicamente modernos surgiram entre 100.000 e 200.000 anos atr\u00e1s. Que tipo de homin\u00eddeo existia h\u00e1 800.000 anos? <em>Homo erectus.<\/em> Assim, os arque\u00f3logos atribu\u00edram diligentemente as ferramentas de pedra a <em>Homo erectus.<\/em> Mas havia um problema com isso. Como... <em>Homo erectus<\/em> Como chegar \u00e0 Ilha de Flores, que h\u00e1 800.000 anos (assim como agora) era separada da terra mais pr\u00f3xima por amplos estreitos oce\u00e2nicos? Os arque\u00f3logos propuseram que o Homo erectus deve ter constru\u00eddo algum tipo de barco ou jangada e atravessado deliberadamente os mares, partindo de Java (que na \u00e9poca ainda fazia parte do continente do Sudeste Asi\u00e1tico).<\/p>\n<p>Mas havia um problema. At\u00e9 ent\u00e3o, os arque\u00f3logos acreditavam que apenas humanos anatomicamente modernos realizavam travessias mar\u00edtimas deliberadas. Na verdade, a evid\u00eancia mais antiga reconhecida de travessias mar\u00edtimas deliberadas era a chegada de humanos anatomicamente modernos \u00e0 Austr\u00e1lia, vindos do Sudeste Asi\u00e1tico, h\u00e1 cerca de 50.000 anos. Portanto, ter o homem-macaco... <em>Homo erectus<\/em> Navegar pelos mares h\u00e1 800.000 anos era algo extraordin\u00e1rio. Para explicar as evid\u00eancias encontradas na Ilha de Flores, os arque\u00f3logos tiveram que elevar o n\u00edvel cultural do Homo erectus ao n\u00edvel do ser humano anatomicamente moderno.<\/p>\n<p>Eu propus que havia outra solu\u00e7\u00e3o para o problema. E a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 em Java (foi muito bom dizer isso em Java). Foi em Java, no final do s\u00e9culo XIX, em um lugar chamado Trinil, que o pesquisador holand\u00eas Eug\u00e8ne Dubois encontrou os primeiros f\u00f3sseis de <em>Homo erectus.<\/em> Certo ano, ele encontrou um cr\u00e2nio primitivo com uma crista supraorbital proeminente. Um ano depois, encontrou um f\u00eamur (osso da coxa) a cerca de 15 metros de dist\u00e2ncia. Juntou as duas pe\u00e7as e proclamou o homem-macaco de Java ao mundo da ci\u00eancia. Dubois chamou a criatura de <em>Pithecanthropus erectus,<\/em> mas os cientistas agora o classificam como uma variedade de <em>Homo erectus.<\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da descoberta de Dubois est\u00e1 registrada em todos os livros did\u00e1ticos de arqueologia. O que n\u00e3o vemos na maioria desses livros \u00e9 que, na d\u00e9cada de 1970, dois proeminentes antrop\u00f3logos f\u00edsicos brit\u00e2nicos estudaram cuidadosamente o f\u00eamur encontrado por Java (Michael Day e T.I. Molleson)., <em>Simp\u00f3sios da Sociedade para o Estudo da Biologia Humana,<\/em>vol. 2, pp. 127\u2013154). Eles conclu\u00edram que era id\u00eantico aos f\u00eamures humanos modernos e que diferia de maneira significativa de todos os outros. <em>Homo erectus<\/em> f\u00eamur que foi encontrado posteriormente. Isso \u00e9 interessante, porque os desenhos do s\u00edtio arqueol\u00f3gico feitos por Dubois mostram que ele encontrou tanto a calota craniana quanto o f\u00eamur na mesma camada. E ge\u00f3logos modernos usaram o m\u00e9todo pot\u00e1ssio-arg\u00f4nio para datar essa camada em Trinil em 800.000 anos.<\/p>\n<p>As evid\u00eancias mostram que, h\u00e1 800 mil anos, dois tipos de homin\u00eddeos viviam em Java. Primeiro, uma popula\u00e7\u00e3o de <em>Homo erectus,<\/em> como representado pela calota craniana primitiva. E em segundo lugar, uma popula\u00e7\u00e3o de humanos anatomicamente modernos, como representado pelo f\u00eamur humano anatomicamente moderno. E eu proponho que foram membros dessa popula\u00e7\u00e3o de humanos anatomicamente modernos, que existia em Java h\u00e1 800.000 anos, que fizeram a travessia mar\u00edtima at\u00e9 a Ilha de Flores e deixaram as ferramentas de pedra l\u00e1.<\/p>\n<p>Portanto, para explicar as ferramentas de pedra da Ilha das Flores, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio elevar o n\u00edvel cultural de <em>Homo erectus<\/em> ao n\u00edvel do ser humano anatomicamente moderno. (Nesse ponto da palestra, mostrei uma imagem de um) <em>Homo erectus<\/em> Um homem vestindo camisa social e gravata borboleta, ao que a plateia, misericordiosamente, respondeu com as risadas esperadas \u2013 poupando-me do constrangimento de uma piada visual que n\u00e3o funcionou.<\/p>\n<p>Entre as palestras, meus anfitri\u00f5es organizaram uma visita a alguns lugares interessantes em Bali. Um deles foi Pura Penataran Sasih, o Templo da Lua Ca\u00edda, em Pejeng. Como na maioria dos templos balineses, entra-se por um primeiro port\u00e3o que d\u00e1 para um p\u00e1tio externo. Em seguida, atravessa-se um segundo port\u00e3o de pedra, mais elaboradamente esculpido, para um p\u00e1tio interno, onde se encontram as estruturas sagradas do templo, que se assemelham a pequenos pagodes. No topo de um dos pagodes, parcialmente escondido da vista, encontra-se um grande gongo em forma de chaleira de bronze. A chaleira, com cerca de 1,80 metro de comprimento, repousa de lado. Foi fundida em uma \u00fanica pe\u00e7a de bronze e \u00e9 o maior objeto de bronze de pe\u00e7a \u00fanica do mundo. Segundo as lendas locais, por\u00e9m, n\u00e3o foi feita por m\u00e3os humanas. Em seu livro <em>A arte e a cultura de Bali,<\/em> Urs Ramseyer diz: \u201cO gongo conhecido como &#039;lua&#039; (<em>sassih<\/em>) de Pejeng \u00e9 uma das categorias de objetos considerados dotados de poder insond\u00e1vel; muitos balineses acreditam que em algum momento esses objetos ca\u00edram do c\u00e9u (<em>piturun<\/em>), e, portanto, n\u00e3o foram feitos pelo homem. Com o passar do tempo, in\u00fameras hist\u00f3rias surgiram em torno desse gongo, todas come\u00e7ando com um evento relacionado \u00e0 lua. Para alguns, \u00e9 a roda da &quot;carruagem&quot; da lua... Outros o veem como um brinco da deusa lunar Ratih, ou como um s\u00edmbolo da pr\u00f3pria lua.&quot;\u2018<\/p>\n<p>Em Bali, voc\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de que esp\u00edritos est\u00e3o por toda parte, nem todos do tipo amig\u00e1vel. Por acaso, eu estava em Bali para a tradicional celebra\u00e7\u00e3o do Ano Novo. Na v\u00e9spera do Ano Novo, os balineses realizam elaborados exorcismos nos principais cruzamentos de cidades e vilarejos (esp\u00edritos malignos se re\u00fanem nesses cruzamentos). Os esp\u00edritos malignos partem para o c\u00e9u. As cerim\u00f4nias cessam ao amanhecer e, pelas pr\u00f3ximas 24 horas, todos devem permanecer dentro de suas casas, sem fazer barulho e sem acender luzes. Se os esp\u00edritos malignos que foram expulsos para o c\u00e9u n\u00e3o virem ningu\u00e9m embaixo, pensar\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m l\u00e1 e ir\u00e3o para outro lugar. A proibi\u00e7\u00e3o de sair \u00e9 rigorosamente seguida, e at\u00e9 mesmo os turistas s\u00e3o solicitados a respeit\u00e1-la (embora eu tenha sido aconselhado a manter uma pequena luz acesa na minha su\u00edte do hotel, desde que mantivesse as cortinas bem fechadas). E foi exatamente o que fiz. Eu certamente n\u00e3o queria ser o respons\u00e1vel por fazer os esp\u00edritos malignos voltarem.<\/p>\n<p><strong>V\u00e1 para <a class=\"postlink\" href=\"\/pt\/vedic-science\/vedic-science-essays\/\">Ensaios sobre a Ci\u00eancia V\u00e9dica<\/a> p\u00e1gina para ler mais artigos.<\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 uma vers\u00e3o ligeiramente revisada do artigo &quot;Uma Viagem a Bali&quot;, publicado em 2004 na revista Atlantis Rising, como parte da minha coluna regular &quot;O Arque\u00f3logo Proibido&quot;. Uma Viagem a Bali por O Arque\u00f3logo Proibido \u2013 Michael A. 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